Hoje, minha vida está igual ao caso de uma prima minha do interior.
Ela, um mulherão de 1,85 e sua mãe estão em pé espremidas em um ônibus lotado. Não tem como não percebê-la, boazuda, cabelão, fala alto...
Neste dia estava um caco, cansada depois de um dia agitado. Só pensava em cadeira vaga no ônibus para ela e para a mãe quando apareceu um conhecido.
Não era apenas um conhecido, era um conhecido mala, ou como diz um amigo, um saco de manga espada embrulhado em jornal na chuva...
E o cara puxando assunto, chavecando, querendo sair com ela, aquele grude.
Sair do interior, correr o dia inteiro em BH, pegar ônibus lotado, ficar em pé e ainda encontrar um conhecido chato te paquerando é dose para leão, é o ô do borogodô, é o fim da picada...
Depois de muita insistência, com cabeça cheia e para por um fim na conversa ela solta a pérola em voz alta:
- Olha, não vai dar para sair com você, minha vida é um corrimento só ...
A maioria dos passageiros olharam para ela com cara de ponto de interrogação e a mãe conseguiu um lugar vago e afundou na poltrona.
Isto aconteceu há muito tempo atrás, mas ainda acho graça. Quando meu dia está uma correria, penso rindo: MINHA VIDA É UM CORRIMENTO SÓ.